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PAMELA COLMAN SMITH – Uma mulher à frente de seu tempo

Corinne Pamela Colman Smith, uma aquariana nascida em 16 de fevereiro de 1878 na Inglaterra, foi uma mulher à frente de seu tempo. Não podemos somente relacionar o tarô como uma parte importante em sua vida, sendo uma mulher de personalidade marcante no início do século 20, cujo esforços eram voltados a superar os rígidos padrões patriarcais da época.

A vida dela é um exemplo incrível de tudo o que está se infiltrando agora, seja igualdade de gênero, raça e identidade – e realmente tentar prosperar e entrar em espaços exclusivamente masculinos.

Filha de pai americano e mãe jamaicana, passou a infância dividida entre Manchester e Jamaica, por conta das atividades comerciais de seu pai. Sempre ligada às artes, ficou conhecida por participar de peças teatrais, sendo habilidosa não somente atuando nos palcos, mas também como figurinista e cenógrafa, o que era uma carreira incomum para mulheres em sua época.

Com um talento extraordinário e um visual estilizado para ilustrações, esteve presente no cenário artístico, o que contribuiu para se tornar uma ilustradora procurada e uma personalidade marcante em seu meio. Teve suas ilustrações utilizadas em obras literárias e escreveu e ilustrou seus próprios livros com contos populares do folclore jamaicano.

Ilustrações da artista Pamela Colman Smith.
Réplicas de obras do acervo pessoal de Regiane Cobra

Ao ilustrar o livro de William Butler Yeats foi apresentada por ele à Ordem Hermética da Golden Dawn em 1901, onde conheceu o poeta e místico Edwad Waite, que em 1909 contratou Pamela para fazer a arte de um novo projeto, o tarô Rider Waite.  

A ideia de Waite era criar um tarô com base nos baralhos clássicos, porém que todas as cartas fossem ilustradas, o que era algo totalmente inusitado para a época. O único deck totalmente ilustrado até então era o Sola Busca, um deck encomendado por uma família nobre na década de 1490 e foi esse deck que serviu de inspiração para a criação do que conhecemos hoje como Tarô de Rider Waite, ou mesmo Rider Waite Smith, como é chamado hoje dando crédito à artista Pamela Smith.

O nome de Pamela ficou encoberto no trabalho de ilustração do tarô mais conhecido atualmente! Hoje a conhecemos e damos os créditos pelo incrível trabalho.

O que sabemos depois disso é que Smith não foi bem remunerada por seu trabalho e que nunca ganhou royalties de suas imagens de Tarot. Embora suas obras de arte fossem populares, nunca obteve retorno financeiro, morreu em setembro de 1951 em Cornualha em condições de pobreza e na obscuridade.

Tenho uma paixão pelo trabalho da Pamela e tudo que ela representa até os dias de hoje e seguirá para as novas gerações de tarólogos. Sendo ela uma contadora de histórias, retratou ao longo das cartas dos arcanos menores seu olhar sensível das relações humanas. Sempre digo que quando utilizamos o tarô somos intérpretes simbólicos, somos contadores de história e colocamos legenda nas imagens.

Para os amantes de uma boa literatura e colecionadores, há disponível no mercado internacional o livro “Pamela Colman Smith: The Untold Story”, Livro de Stuart R. Kaplan, Mary K. Greer, Elizabeth Foley O’Connor e Melinda Boyd, publicado pela editora U. S. Games Systems. O livro retrata anos de pesquisa sobre a vida e as realizações de Pamela Smith e traz 400 ilustrações selecionadas de suas publicações.

· · • • • Texto por Regiane Cobra • • • · ·

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